
martedì
:: Esta Vida...
ESTA VIDA NÃO VIVISerá que na vida não vive
Quem na vida já viveu?
Ou será que terá vida
Quem nesta vida sofreu.
E eu que morri e que vivo
Dentro do mundo que passou:
Nos versos que não morrerão
Após rasgar a vida
Irão lembrar quem chorou
E esta vida não viveu.
Rogério Martins Simões
Fotografia em CANDAS
domenica
:: Ausência...

Fotografia de Paul Mahder
Por muito tempo achei
que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento
exclamações alegres,
porque a ausência,
essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade
giovedì
::

Sei que estás no meu coração
és a flor que me traz de volta
o cheiro da nossa infância
porque és o eterno carinho
(uma beleza impossível de decifrar)
porque tens a delicadeza
impressa no teu silêncio
porque vens com a tua boca doce
chamar o nome com que o amor
se disfarça na noite eterna
(Surripiado neste belissimo Blogue de escrita dos afectos e das palavras)
:: Um Anjo é...

Um anjo é uma espécie de luz
um coração de luz
que irradia do profundo mistério
que é sermos belos
belos na juventude eterna
dos nossos sonhos
belos na arte que respira cada um dos gestos
com que prosperamos
neste universo de silêncio
um anjo é um corpo de amor
à espera que outra boca
lhe dê ar ou a filigrana para compor
finalmente as asas
Daniel gonçalves
um coração de luz
que irradia do profundo mistério
que é sermos belos
belos na juventude eterna
dos nossos sonhos
belos na arte que respira cada um dos gestos
com que prosperamos
neste universo de silêncio
um anjo é um corpo de amor
à espera que outra boca
lhe dê ar ou a filigrana para compor
finalmente as asas
Daniel gonçalves
(Porque achei lindissimo...obrigada pela sua bela escrita.)
martedì
:: O Passaro Cativo...


O Pássaro CativoArmas, num galho de árvore, o alçapão; E, em breve, uma avezinha descuidada, Batendo as asas cai na escravidão.
Dás-lhe então, por esplêndida morada, A gaiola dourada; Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo: Porque é que, tendo tudo, há de ficar O passarinho mudo, Arrepiado e triste, sem cantar?
É que, crença, os pássaros não falam. Só gorjeando a sua dor exalam, Sem que os homens os possam entender; Se os pássaros falassem, Talvez os teus ouvidos escutassem Este cativo pássaro dizer:
“Não quero o teu alpiste! Gosto mais do alimento que procuro Na mata livre em que a voar me viste; Tenho água fresca num recanto escuro Da selva em que nasci; Da mata entre os verdores, Tenho frutos e flores, Sem precisar de ti! Não quero a tua esplêndida gaiola! Pois nenhuma riqueza me consola De haver perdido aquilo que perdi ... Prefiro o ninho humilde, construído De folhas secas, plácido, e escondido Entre os galhos das árvores amigas ... Solta-me ao vento e ao sol! Com que direito à escravidão me obrigas? Quero saudar as pompas do arrebol! Quero, ao cair da tarde, Entoar minhas tristíssimas cantigas! Por que me prendes? Solta-me covarde! Deus me deu por gaiola a imensidade: Não me roubes a minha liberdade ... Quero voar! voar! ... “
Estas cousas o pássaro diria, Se pudesse falar. E a tua alma, criança, tremeria, Vendo tanta aflição: E a tua mão tremendo, lhe abriria A porta da prisão...
Olavo Bilac
Do livro: Poesias Infantis, Ed. Francisco Alves, 1929, RJ
sabato
:: Sebastian Szwajczak...




Vem de mansinho…
Deixa-me ficar
nesta penumbra,
nesta meia luz.
Senta-te amor, devagarinho…
Assim…
Eu quero escutar
essa música dolente,
que a tua luz traduz
!Vem contar-me contos…
Conta-me a vida dos ciganos
nómadas, errantes.
Dize-me dos orientais
que têm paixões brutais
e dos seus haréns,
as cenas sensuais…
Dá, meu amor,dá alegria,
põe muita cornessas novelas…
Vem contar-me coisas belas!
Veste as ciganas bronzeadas
de lenços de ramagens!
Dá tons vivos às imagens…
Veste-as de cores encarnadas!
Fala-me dessas tribos selvagens
enfeitadas com penas multicores
e coisas esquisitas,
desenhando tatuagens
no peito das favoritas!
- Dize-me dos teus amores…
Enche de luz e de estridora
minha alcova sombria!
Dá-me alegria…
Incendeia meu sangue arrefecido!
E depois meu amor…
Depois…
deixa-me sonhar…
Delirar,num sonho belo,
rubro, colorido!
Judith Teixeira
Mais emSebastian Szwajczak
mercoledì
:: Em segredo...
:: Géry Lebecq...

Géry Lebecq têm una suculenta colecção de divertidas ilustrações publicitárias modeladas com plasticina ... Vale a pena ver o site!!!
:: Antes de Seres...

Antes de seres
Só havia céu e vento
E a vida era lisa e passava.
Só o vento, feito brisa, me sussurrava
O teu nome.
E eu não o entendia.
Porque era tempo de céu e vento,
De vida lisa, dia a dia,
Sem sonhos de terra
E de pés para caminhar.
Quando a meus olhos
Sólido e concreto te tornaste,
Quando de ti soube o nome
E o tocar,
Não mais a vida
foi lisaTempo breve.
E sonhei caminhos e terra
E corpo para chegar.
Encandescente aqui
martedì
venerdì
:: EStive...

Estive tão longe de ti
que não pensei sequer lembrar o teu nome
percorri distâncias escuras, estradas imóveis
onde circulava o peso sem cor do esquecimento
e se curvavam as pedras à boca do destino
a solidão assustava-me, queimava-me a pele
quero dizer-te que não mais vi ternura
que os meus pés ganharam idade a um ritmo
que não pude conter, acompanhar, escrever-te
sim, fiz-me não te escrever
para que o teu corpo não ouvisse o vento
e as ondas fossem quebrar ao centro dos oceanos
para que uma palavra não pousasse no teu rosto
e levasse a luz dos teus olhos e a vida nos teus lábios
arranquei de mim a morada que eras tu
desisti dos pássaros, afundei barcos, lâminas.
apaguei o calor dos porões como se uma vela
pudesse perigosamente insistir na permanência
desse mundo que era a minha voz, éramos nós
estive tão longe de ti
mas deixa que agora te nomeie entre as nuvens
e traga para dentro de mim
o aroma que era o teu corpo nas manhãs a dois
deixa que venha morrer junto de ti
no ventre do amor que prometemos ao infinito
Vasco Gato
lunedì
giovedì
:: Esta Manhã...

Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele.
E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.
No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha camisola;
e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe que respira
na rede mais exausta.
Nem mesmo à despedida
foram os gestos contundentes;
tudo o que vem de ti é um poema.
Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem.
Sentei-me na cama
e repeti devagar o teu nome,
o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caiam no fim das palavras,
a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.
Maria do Rosário Pedreira
lunedì
lunedì
:: Se...

"Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida
,que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!"
Adélia Prado
mercoledì
:: Tempestade...
lunedì
:: Passem-se...
:: Quem...
domenica
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