sabato

:: Anne Julie Aubry...


:: Em...








Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
Mário Cesariny

:: Saddington & Baynes...



Fotografia diferente em Saddington & Baynes


Sou feita de uma carne perecível


futuro de outra carne,


sem nenhuma eternidade.


A rocha é uma invencível


parte da terra;


que ela me resuma


no seu mesmo destino mineral.


A solidez ausente que tortura


nossa matéria frágil, no final


se renderá: serei de pedra dura.


Nunca mais chorarei


nessa passagem de poesia.


Com nítida certeza,


recorto nas montanhas


minha imagem mais que raiz,


expressa na beleza.


Pela terra em que


não me desfiguro,


hei de surgir um dia


em cristal puro.


Lupe Cotrim

martedì

::


:: Esta Vida...

ESTA VIDA NÃO VIVI

Será que na vida não vive
Quem na vida já viveu?
Ou será que terá vida
Quem nesta vida sofreu
.
E eu que morri e que vivo
Dentro do mundo que passou:
Nos versos que não morrerão
Após rasgar a vida
Irão lembrar quem chorou
E esta vida não viveu.

Rogério Martins Simões

Fotografia em CANDAS

domenica

:: Ausência...



Fotografia de Paul Mahder
Por muito tempo achei
que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento
exclamações alegres,
porque a ausência,
essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade

:: Louchelust...


Veja o movimento emLouchelust

:: Pascal Renoux...


giovedì

::


Sei que estás no meu coração
és a flor que me traz de volta
o cheiro da nossa infância

porque és o eterno carinho
(uma beleza impossível de decifrar)
porque tens a delicadeza
impressa no teu silêncio
porque vens com a tua boca doce
chamar o nome com que o amor
se disfarça na noite eterna




(Surripiado neste belissimo Blogue de escrita dos afectos e das palavras)

:: Um Anjo é...



Um anjo é uma espécie de luz
um coração de luz
que irradia do profundo mistério
que é sermos belos

belos na juventude eterna
dos nossos sonhos


belos na arte que respira cada um dos gestos
com que prosperamos
neste universo de silêncio

um anjo é um corpo de amor
à espera que outra boca
lhe dê ar ou a filigrana para compor
finalmente as asas




Daniel gonçalves
(Porque achei lindissimo...obrigada pela sua bela escrita.)

:: Oloferla...


martedì

:: Kulik Larissa...






















Fotografia em KULIK LARISSA

:: Maria Mihaela Sã, RBU...


Abre a Janela da tua Vida...
Deixa entrar o Sol!!!!

:: O Passaro Cativo...






O Pássaro Cativo
Armas, num galho de árvore, o alçapão; E, em breve, uma avezinha descuidada, Batendo as asas cai na escravidão.
Dás-lhe então, por esplêndida morada, A gaiola dourada; Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo: Porque é que, tendo tudo, há de ficar O passarinho mudo, Arrepiado e triste, sem cantar?
É que, crença, os pássaros não falam. Só gorjeando a sua dor exalam, Sem que os homens os possam entender; Se os pássaros falassem, Talvez os teus ouvidos escutassem Este cativo pássaro dizer:
“Não quero o teu alpiste! Gosto mais do alimento que procuro Na mata livre em que a voar me viste; Tenho água fresca num recanto escuro
Da selva em que nasci; Da mata entre os verdores, Tenho frutos e flores, Sem precisar de ti! Não quero a tua esplêndida gaiola! Pois nenhuma riqueza me consola De haver perdido aquilo que perdi ... Prefiro o ninho humilde, construído De folhas secas, plácido, e escondido Entre os galhos das árvores amigas ... Solta-me ao vento e ao sol! Com que direito à escravidão me obrigas? Quero saudar as pompas do arrebol! Quero, ao cair da tarde, Entoar minhas tristíssimas cantigas! Por que me prendes? Solta-me covarde! Deus me deu por gaiola a imensidade: Não me roubes a minha liberdade ... Quero voar! voar! ... “
Estas cousas o pássaro diria, Se pudesse falar. E a tua alma, criança, tremeria, Vendo tanta aflição: E a tua mão tremendo, lhe abriria A porta da prisão...

Olavo Bilac
Do livro: Poesias Infantis, Ed. Francisco Alves, 1929, RJ

sabato

:: Sebastian Szwajczak...

















Vem!
Vem de mansinho…
Deixa-me ficar
nesta penumbra,
nesta meia luz.
Senta-te amor, devagarinho…
Assim…
Eu quero escutar
essa música dolente,
que a tua luz traduz
!Vem contar-me contos…
Conta-me a vida dos ciganos
nómadas, errantes.
Dize-me dos orientais
que têm paixões brutais
e dos seus haréns,
as cenas sensuais…
Dá, meu amor,dá alegria,
põe muita cornessas novelas…
Vem contar-me coisas belas!
Veste as ciganas bronzeadas
de lenços de ramagens!
Dá tons vivos às imagens…
Veste-as de cores encarnadas!
Fala-me dessas tribos selvagens
enfeitadas com penas multicores
e coisas esquisitas,
desenhando tatuagens
no peito das favoritas!
- Dize-me dos teus amores…
Enche de luz e de estridora
minha alcova sombria!
Dá-me alegria…
Incendeia meu sangue arrefecido!
E depois meu amor…
Depois…
deixa-me sonhar…
Delirar,num sonho belo,
rubro, colorido!
Judith Teixeira




mercoledì

:: Em segredo...



Nomeio-te em segredo
e não te digo
retenho-te nos olhos
e tudo acendecicias-me ao ouvido
e alvoroçada
recolho-te na boca
e tudo queima.
Ardo sozinha
a mão convulsionada
a desenhar-te em mim
Maria Aurora Carvalho Homem


:: Géry Lebecq...


Géry Lebecq têm una suculenta colecção de divertidas ilustrações publicitárias modeladas com plasticina ... Vale a pena ver o site!!!

:: Antes de Seres...


Antes de seres
Só havia céu e vento
E a vida era lisa e passava.
Só o vento, feito brisa, me sussurrava
O teu nome.
E eu não o entendia.
Porque era tempo de céu e vento,
De vida lisa, dia a dia,
Sem sonhos de terra
E de pés para caminhar.
Quando a meus olhos
Sólido e concreto te tornaste,
Quando de ti soube o nome
E o tocar,
Não mais a vida
foi lisaTempo breve.
E sonhei caminhos e terra
E corpo para chegar.
Encandescente aqui

venerdì

:: EStive...




Estive tão longe de ti
que não pensei sequer lembrar o teu nome
percorri distâncias escuras, estradas imóveis
onde circulava o peso sem cor do esquecimento
e se curvavam as pedras à boca do destino
a solidão assustava-me, queimava-me a pele
quero dizer-te que não mais vi ternura
que os meus pés ganharam idade a um ritmo
que não pude conter, acompanhar, escrever-te
sim, fiz-me não te escrever
para que o teu corpo não ouvisse o vento
e as ondas fossem quebrar ao centro dos oceanos
para que uma palavra não pousasse no teu rosto
e levasse a luz dos teus olhos e a vida nos teus lábios
arranquei de mim a morada que eras tu
desisti dos pássaros, afundei barcos, lâminas.
apaguei o calor dos porões como se uma vela
pudesse perigosamente insistir na permanência
desse mundo que era a minha voz, éramos nós
estive tão longe de ti
mas deixa que agora te nomeie entre as nuvens
e traga para dentro de mim
o aroma que era o teu corpo nas manhãs a dois
deixa que venha morrer junto de ti
no ventre do amor que prometemos ao infinito
Vasco Gato

:: Hi Shamota...




Fotografia em HI SHAMOTA