sabato

:: Não te Amo..



















Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...

:: Ela...


Ela acreditava em anjo e,
porque acreditava,
eles existiam.
(A Hora da Estrela)

::

mercoledì

:: Ultima Página...


Última Página
Vou deixar este livro. Adeus.
Aqui morei nas ruas infinitas.
Adeus meu bairro página branca
onde morri onde nasci algumas vezes.
Adeus palavras comboios
adeus navio. De ti povo
não me despeço. Vou contigo.
Adeus meu bairro versos ventos.
Não voltarei a Nambuangongo
onde tu meu amor não viste nada. Adeus
camaradas dos campos de batalha.
Parto sem ti Pedro Soldado.
Tu Rapariga do País de Abril
tu vens comigo. Não te esqueças
da primavera. Vamos soltar
a primavera no País de Abril.
Livro: meu suor meu sangue
aqui te deixo no cimo da pátria
Meto a viola debaixo do braço
e viro a página. Adeus.
Manuel Alegre

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Latvia born e Liva Rutmane portfolio

:: O meu Amor...


O meu amor dá-se em letras. E se esta mão amasse um iletrado? Que parte é de mim esta mão que escreve?
O meu amor dá-se em palavras
pela mão que só escreve palavras de amor.
Sobre ela
o corpo inclinado ouve-lhe o canto
e solta o grito que o prende ao alvo:
«Tu, mão, a que chamo minha
não sou eu o teu corpo?
Não és a alma perecível
com que alimento a imaginação?»
E de novo inventa a mesma alma
para resistir ao esplendor do dia.
Rosa Alice Branco

sabato

:: Flores para...





Que mil flores desabrochem. Que mil flores
(outras nenhumas) onde amores fenecem
que mil flores floresçam onde só dores
florescem.
Que mil flores desabrochem. Que mil espadas
(outras nenhumas não)
onde mil flores com espadas são cortadas
que mil espadas floresçam em cada mão.

Que mil espadas floresçam
onde só penas são
.
Antes que amores feneçam
que mil flores desabrochem.
E outras nenhumas não.
Manuel Alegre











:: Pascal Nubret...



Em ANJOS VESTEM DOLCE & GABBANA

:: Japi Honoo...



:: Lynn Goldsmith...


giovedì

:: Mulher...



Uma feia bonita
Mulher ultriz
É raiz
Deste poema
Contrito lamento
Feito feérico fonema
Suspeitava que Beatriz me amava
Mas eu não sabia
O que comigo se passava
Tonto
Disse-lhe que a achava feia
Era só meia verdade
A outra meia
Era que eu a estimava
Mas a ultriz Beatriz
De pronto
Me fez a vontade
Nunca mais me olhou
Nem me procurou
E o meu coração mergulhou
Na mais cruel ansiedade
in “Mulheres de Amor Inventadas ”
Henrique Pedro

:: Viva...


Fotografia de Kim Andersen em GRINGA SEMPRE

Vive a força da união Mas…
Nunca faças força
para te unires.
Cöllyßry

:: Helenbar...


:: Ray Caesar...



:: Nicole Marschollek...


::



Fotografia em ANJOS VESTEM MOSCHINO

venerdì

:: Sem Imagens...







Coração sem imagens



Deito fora as imagens,



Sem ti



para que me servem as imagens?



Preciso habituar-me



a substituir-te pelo vento,



que está em toda a parte



e cuja direcção



é igualmente



passageira e verídica.



Preciso habituar-me



ao eco dos teus passos



numa casa deserta,



ao trémulo vigor



de todos os teus gestos



invisíveis,



à canção que tu cantas



e que mais ninguém



ouve a não ser eu.



Serei feliz



sem as imagens.



As imagens



não dão felicidade



a ninguém.



Era mais difícil perder-te,



e, no entanto, perdi-te.



Era mais difícil



inventar-te, e eu te inventei.



Posso passar



sem as imagens



assim como



posso passar sem ti.



E hei-de ser feliz



ainda que isso



não seja ser feliz.



Raul de Carvalho

giovedì

:: Skalabrin...
















Mais em Link

:: E de Novo...




E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta,
os pés descalços
a pele alucinada de carícias.
As preces, os segredos,
as risadas
no altar esplendoroso
das ofertas.
De novo beijo a beijo
as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos
e silênciosa ecoar no som
dos precipícios.
E tudo o que me dás
eu te devolvo.
E fazemos de novo,
sempre novo
o amor total dos deuses
e dos bichos.
Rosa Lobato Faria

:: Hoang Nguyen...











Ilustrador Hoang Nguyen